sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Banho de Descarga para que serve?


Banhos de Descarga. É utilizado tanto no Candomblé, Umbanda e adeptos. É o mais conhecido, e como o próprio nome diz, o Banho de Descarga (ou descarrego) serve para descarregar e limpar o corpo astral, eliminando a precipitação de fluídos negativos (inveja, ódio, olho grande, irritação, nervosismo, etc). Suprime os males físicos externamente, adquiridos de outrem ou de locais onde estiverem os médiuns. Este banho pode ser utilizado por qualquer pessoa, desde que seguindo as recomendações das Entidades,Guias Espirituais ou do seu Pai ou Mãe de Santo.
Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Conforme vivemos, vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias negativas são abundantes. Todos estes pensamentos, ações, vão criando larvas astrais, miasmas e etc., que vão se aderindo à aura das pessoas. Por mais que nos vigiemos, ora ou outra caímos com o nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando nesta faixa vibratória.

Tipos de Banhos: Basicamente existem dois tipos de banho, de Descarga/Limpeza e de Energização/Fixação.

A Defumação


Em todos os terreiros de umbanda iremos nos deparar com um momento chamado defumação. 
A defumação é a queima de algumas ervas e resinas e sua transformação em fumaça pela ação do fogo. Exalando e soltando suas essências. Assim a defumação vem trazer a força e a magia das ervas e assim dos Orixás.  Atrair energias positivas.

A defumação ao mesmo tempo em que serve como uma grande vassoura astral serve como um imã de boas energias, cabendo aos seres daquela localidade manter um padrão vibratório alto que a localidade permanecerá com muita energia positiva.
Além de suas propriedades astrais a defumação ajuda a mente do médium e da assistência, ou dos residentes daquele local, a entrarem em contato com os guias e protetores. Ou seja, o perfume da defumação estimula nossos centros nervosos (plexos) a captarem com mais qualidade as energias superiores, mantendo a mente da pessoa mais concentrada e propícia a esta percepção.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O uso das velas


A Vela é o maior elemento e instrumento mágico presente na Umbanda. Praticamente nenhum trabalho é realizado sem a presença de pelo menos uma vela.
A vela sintetiza os quatros elementos com destaque para o fogo e a terra. Em geral, as velas são produzidas pela parafina que é um derivado do petróleo, que nada mais é do que elementos orgânicos em milhares de anos acumulados e decompostos. Há algumas velas que são produzidas por cera, seja cera de carnaúba (uma árvore, palmeira, do Nordeste), ou cera de abelha. As duas também são produtos orgânicos.
A principal intenção de uma vela é a iluminação, o caminho de luz. É a chama de uma vela que simboliza a presença da energia iluminada, a representação da energia que a entidade ou que nós estamos querendo trazer.
Além disso, a vela é um elo, uma ligação entre aquele que está pedindo, aquele a quem o pedido é destinado Orixá, Deus, entidade, e aquele para quem o pedido é, podendo ser a própria pessoa ou seu familiar, amigo, etc., ou seja, o destinatário do pedido. Por isso a importância da atenção e da concentração no momento de acendermos uma vela.
A vela pela própria ação do fogo simboliza a magia: a terra sob a ação do fogo se transforma em ar e água.

O uso do álcool na Umbanda



Uma das coisas que faz com que muitos tenham preconceito e até aversão a Umbanda é a utilização de bebidas alcoólicas pelas entidades. Antes de explicarmos a razão e os mistérios desse fundamento, vamos fazer um paralelo com outras religiões.

Qual foi um dos milagres de Jesus Cristo, a água transformada em vinho. Na Igreja Católica Apostólica Romana e nas Católicas Ortodoxas no sacramento da eucaristia o pão representa a carne de Cristo e o Vinho representa o sangue de Cristo, em uma ação que remete à última ceia, demonstrando a união de todos, a comunhão dos fiéis com o filho de Deus.

Em muitas religiões da África o vinho de palma, entre outras bebidas com teor alcoólico, são néctares das divindades.

Enfim, diversas são as religiões que se utilizam da bebida alcoólica como um de seus fundamentos.

Na Umbanda não é diferente, o álcool tem um significado e uma utilização clara e com muito fundamento.


O álcool representa em si mesmo a essência dos elementos: é líquido, veio da terra (cana), pega fogo e é extremamente volátil. É da própria constituição que se assemelha ao éter, e assim à passagem do plano material para o etéreo.

Não só do ponto de vista magístico, mas de outros pontos de vista existe a razão da utilização desse elemento. Comprovadamente é um anti-séptico, ou seja, limpa e desinfeta regiões.

É utilizado como desinfetante. Junto com a água serve como excelente diluidor. O álcool 70 (álcool a 70%) é muito utilizado em hospitais e clínicas para a limpeza (assepsia) das mãos e de balcões e utensílios. O álcool de cereais é utilizado em muitos medicamentos para a sua conservação e diluição. O álcool em forma de brandy é utilizado na homeopatia e na medicina floral para a conservação dos medicamentos. Isto para citar alguns exemplos do uso desta substância.

Sua geometria química também auxilia na modelação e materialização (desmaterialização) no plano astral, permitindo que as entidades se utilizem da matéria etérica do álcool para as curas e desinfecções, além de seus efeitos no campo astral na limpeza de miasmas, larvas astrais e outros tipos de concentrações de energias deletérias.

Junto com o fogo e com a fumaça (defumação e tabaco) são essenciais na destruição de campos deletérios e de vínculos realizados por feitiçaria. Ou seja, há uma razão para a utilização do álcool, sob diversos pontos de vista.

A pergunta que permanece e gera controvérsia é a ingestão das bebidas alcoólicas pelos médiuns incorporados. Para começarmos a responder esta pergunta, primeiro temos que observar que nenhum médium ingere bebidas alcoólicas antes de suas incorporações, aliás, devemos nos abster, pelo menos, 24horas antes do início das giras de qualquer bebida alcoólica. Nenhum médium se embriaga, não há a ingestão de bebidas em quantidades exorbitante.

Assim, as bebidas alcoólicas ingeridas pelos médiuns já incorporados não é feito para entrarem em um estado de consciência alterado, ou para entrarem em transe, uma vez que se o fizessem com esta finalidade deveriam fazer antes de sua manifestação mediúnica, e não após a mesma.

Ou seja, o álcool ingerido serve a outros propósitos que não o da embriaguez, ou para a alteração dos estados de consciência. “Mas se não tem esta razão por que se deve bebê-lo, e não apenas ter este elemento no ponto, ou no chão?” Alguns podem ainda questionar. Primeiramente devemos recordar que o álcool ingerido tem sua eliminação prioritariamente pelo sistema respiratório, ou seja, pelo pulmão.

Quando o álcool é absorvido pelo organismo, a primeira e maior parte do álcool é expelido na nossa respiração, é por isto que o bafômetro pode detectar quem ingeriu e quem não ingeriu álcool e qual a sua quantidade. Assim quando um médium incorporado toma a bebida alcoólica imediatamente ele começará a ser eliminado pelos pulmões. E o que é que as entidades fazem? Não dão sopros ou baforadas para limpar e ajudar a assistência? Não vão em suas consultas administrar vibrações, passes, e com eles aplicar sopros? É neste momento que o astral irá manipular o álcool para criar as condições necessárias para a limpeza, a materialização ou desmaterialização.

Então a entidade incorporada começa a soprar, dar suas baforadas nos consulentes criando as condições materiais e astrais para a realização da magia da Umbanda, sob o axé e a graça dos Orixás.

Cabe ainda ressaltar a importância do sopro. Em um mito temos que Nanã deu o barro para Obatalá moldar os humanos, este protegido e assistido por Exu moldou e deu forma ao homem e a mulher, mas quem deu a vida, o espírito foi Olorum com o seu sopro. História muito semelhante encontraremos na Bíblia, no livro do Gênesis, em que do barro Deus fez o homem e com o sopro lhe deu a vida. Os alquimistas e muitos cientistas dos séculos passados acreditavam que o sopro era a fonte de vida. Chamava o sopro a essência vital, sem ele não haveria vida. Os pajés em suas curas sempre fazem uso do sopro. As mães e pais quando um filho se afoga, se machuca logo vão assoprar suas crianças para lhe ajudarem. O que queremos dizer é que é pelo sopro que passamos nossa energia vital, nossa vontade, nossas energias curadoras.

Com este ato, aliado ao álcool que criará as condições materiais e etéricas para a cura, aliado aos elementais, as energias da natureza, ao ectoplasma dos médiuns e a energia astral dos Guias e dos Orixás é que a Umbanda faz seu trabalho.

Enfim, o álcool é um dos fundamentos da Umbanda e é muito utilizado na magia e nas mirongas, saber o porquê de seu uso, e combater o preconceito quanto a ele, somente engrandece nossa força, e traz respeito aos fundamentos e a maneira de fazer caridade da Umbanda. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Umbanda



Para que você compreenda melhor a nossa religião, quer seja como médium, adepto ou simpatizante, é necessário conhecer qual a sua base de sustentação, em que cremos e como desenvolvemos as nossas práticas religiosas.

Primeiramente, saiba que religião é necessidade exclusiva do ser humano. Ela surge no plano humano, com codificação no plano divino e que a sustentará e individualizará em relação às outras de modo que seja compatível com a cultura, a crença e a evolução mental e espiritual dos seus seguidores. A sua criação e sustentação são sempre complexas, pois mobilizam toda uma hierarquia de Divindades que darão amparo e gerarão as condições para que ela possa se desenvolver, sem interferir nas demais, e congregar o maior número de adeptos. Assim aconteceu com todas as religiões existentes, ou que já existiram como acontecerá com as que surgirão.

A base sustentadora da religião Umbanda está em Deus e nos Tronos Divinos, em que temos assentados os nossos amados Orixás, nome que nós damos as Divindades de Deus que regem e guardam as Qualidades e Mistério que influenciam todos os sentidos da nossa vida. São sentidos da nossa vida: o sentido da fé, o sentido do amor, o sentido do conhecimento, o sentido da Lei, o sentido da Justiça, o sentido da Evolução e o sentido da Geração.

A maior de nossas crenças é Deus, ser supremo pelo qual a Umbanda tem o seu motivo de existir e servir. Deus é único, criador e sustentador de tudo que existe e existirá, porque assim ele quer e assim ele pode. Não temos Deus somente para nós ou um Deus diferente, só para nós. Ele é único e de todos. Não somos os seus prediletos, pois somos iguais a todos os outros que ele criou e, por conseqüência, não somos piores do que ninguém. Igualamo-nos, portanto, a todos que o amam. E por acreditar dessa forma, porque é assim que acontece, nossa religião não é melhor ou pior que qualquer outra e possibilita o mesmo que as outras possibilitam: um meio para que cada um religue-se a ele e evolua espiritualmente.

HISTÓRIA E SINCRETISMO


As raízes da Umbanda são difusas. Entretanto, podemos afirmar que ela foi criada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Antes disso, já havia, de fato, o trabalho de guias (pretos velhos, caboclos, crianças, exus, etc.), assim como religiões ou simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual deu-se o nome de Umbanda.
Nesta época, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1945, José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de Umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da Umbanda.

A partir dai muitas tendas cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizer-se umbandistas, de forma a fugir da perseguição policial. Foi aí que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a Umbanda genuína é praticada em pouquíssimas casas.

Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra Umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciativa). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.

Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Há discordância sobre as cores votivas de cada Orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada Orixá.
Alguns exemplos:
- Exu - Santo Antonio no Rio de janeiro;
- Ogum - São Jorge ou Santo Antonio na Bahia;
- Oxossi - São Sebastião; no Brasil, São Jorge na Bahia;
- Xangô - São Jerônimo, São João Batista, São Miguel Arcanjo;
- Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes;
- Oxum - Nossa Senhora da Conceição;
- Iansã - Santa Bárbara;
- Omulu - São Roque;
- Obá - Santa Rita de Cássia, Santa Joana d'Arc;
- Obaluaê - São Lázaro;
- Nanã - Sant'Anna;
- Egunitá - Santa Sara Kali;
- Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino.
 

OS FUNDAMENTOS
Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas de Umbanda. São eles:
- A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Olorum, Zambi;
- A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes; - O culto aos Orixás como manifestações divinas, em que cada orixá controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de vida e sobrevivência;
- A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "aparelhos";
- O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifesta de diferentes formas;
- Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;
- A crença na imortalidade da alma;
- A crença na reencarnação e nas leis cármicas.

UM DEUS ÚNICO E SUPERIOR

Deus, em sua benevolência e em sua força emana de si e através dos orixás e dos guias (espíritos desencarnados) seu amor, auxiliando os homens em sua caminhada para a elevação espiritual e intelectual.

OS ORIXÁS

Na Umbanda os Orixás são energias, forças da natureza que estão presentes em todos os lugares, influenciando as pessoas e irradiando energias que mantém o equilíbrio natural dos elementos em relação ao universo.
Uma interpretação mais objetiva coloca os Orixás como espíritos que progrediram muito espiritualmente, não necessitando mais do processo reencarnatório, e que para darem continuidade no seu progresso espiritual possuem como missão organizar e orientar uma rede de espíritos com menos progresso espiritual do que eles, ajudando-os a progredirem espiritualmente.
Cada pessoa está ligada a um desses Orixás e suas características são encontradas em seus filhos, seja na forma física ou, mais evidente, nas características psicológicas e comportamentais a qual a pessoa está relacionada.
Os elementos nos quais se manifestam os orixás cultuados na Umbanda são:
Oxalá Onipresente;
Ogum estradas e campinas;
Oxossi nas matas;
Xangô nas pedreiras;
Iemanjá nos Mares;
Oxum cachoeiras;
Iansã nos ventos e tempestades;
Obaluaê na terra;
Nanã nas águas paradas e dos rios e lagos.

O CULTO UMBANDISTA

A Umbanda tem como lugar de culto o Templo, Terreiro, Tenda ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para realização do culto aos Orixás e dos seus Guias, que na Umbanda se denominam Giras.
O chefe do culto no Centro é o Pai ou Mãe de santo ou (pode ser Babá, Zelador, Dirigiente, Diretor (a) de culto, Mestre (a), sempre dependendo da forma escolhida por cada casa). São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do terreiro. É quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.
Como uma religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se faz por meio dos médiuns.
Na Umbanda existem várias classes de médiuns, de acordo com o tipo de mediunidade.
Normalmente há os médiuns de incorporação, que irão "Emprestar" seus corpos para os Guias e para os Orixás.
Há também os Atabaqueiros, que transmitem a vibração da espiritualidade superior por via dos atabaques, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira.
Há os Corimbas, que são os que comandam os cânticos e as Cambonas ou Cambones que são encarregadas de atender as entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos.
Embora caiba ao Pai ou Mãe de santo responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à cooperação, ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica.
Segundo a Umbanda, as entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser Preto-velhos, Caboclos, Boiadeiros, Crianças, Marinheiros, Ciganos, Baianos, Pombas Giras e Exus.

AS SESSÕES

O culto nos terreiros é dividido em sessões de Desenvolvimento e de Consulta, e essas, são subdivididas em Giras.
Nas sessões de Consulta, podemos encontrar Pretos-Velhos, Caboclos, Ciganos… As pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, descarregos, e para resolver problemas espirituais diversos.
As ocorrências mais comuns nessas sessões são o "Passe" e o Descarrego.
No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar.
O Descarrego é feito com o auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa da pessoa e a transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa energia seja deslocada para o astral. Caso seja um obsessor, o espírito obsediador é retirado e encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado no astral inferior caso ele não aceite a luz que lhe é dada.
Nos dias de consulta há o atendimento da assistência e nos dias de desenvolvimento há as giras mediúnicas, que são fechadas à assistência, onde o Pai de Santo educam e ensinam os mecanismos próprios da mediunidade.


Ori = Coroa; Xá = Luz.
A palavra Orixá quer dizer “Coroa Iluminada”; “Espírito de Luz”. O princípio mais evoluído existente em nosso sistema, manifestado através das forças da natureza.
 

MÉDIUNS

Médium é toda pessoa que, segundo a Doutrina Espírita, que tem a capacidade de se comunicar com entidades desencarnadas ou espíritos, seja pela mecânica da incorporação, pela vidência (ver), pela audiência (ouvir) ou pela psicografia (escrever movido pelos espíritos).

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, respeitar os Guias e Orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da Umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, segundo os Umbandistas, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.
Existem médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve angir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dignos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acaba atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados que estejam na mesma faixa vibracional que eles. Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regida através de um profundo estudo da religião, e seguida por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial.
As pessoas que são médiuns devem levar sempre a sério sua missão, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa-vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

SAUDAÇÃO AOS ORIXÁS

OXOSSI

Saudação: Okê Bamba O’Clima, Okê Caboclo ou Oke Aro;
Okê Bamba O'Clima - kê = gritar; Okê = aquele que grita; Bamba - Valente (valentia) o'clima = acima ou de cima.
Okê Caboclo = Seria basicamente uma corruptela do anterior e significa por conseqüência: Salve o Caboclo que grita.
Okê Arô! = Okê = aquele que grita, Arô é um título de honra, uma autoridade. Portanto Okê Arô seria a "autoridade que fala mais alto".

OGUM

Saudação: Ogum nhê! Patakori Ogunhê!
Ogum nhê! = Salve Ogum!
Patakori Ogunhê! Patakori vem de pataki (principal, importante, supremo) + ori (cabeça, coroa) então Salve Ogum o principal da cabeça ou o Cabeça Principal. Ou ainda o senhor que encabeça. Que vem primeiro, na frente.

XANGÔ
Saudação: Kaô Kabecile!
Kaô Kabecile = Salve o Rei (senhor) de Oyó (cidade na África) ou ainda para Pierre Verger: “Venham ver e admirar o Rei.”

OMULU
Saudação: Atotô! = Silêncio! O senhor está na terra!

OXUM

Saudação: Ora iê iê ô! = "Salve benevolente mãezinha!"

IEMANJÁ
Saudação: Odoiá ou Odô iá! Odô = Rio; iá (iyá) = mãe, logo Mãe do Rio. Lembrando que na África Iemanjá era Orixá dos Rios.

IANSÃ
Saudação: Eparrei! - Aquela que corta com o raio.


O ATO DE BATER CABEÇA 
O ato de bater cabeça, talvez seja a parte da ritualística umbandista cuja simbologia esteja no inconsciente coletivo da humanidade desde o princípio dos tempos.
O ato de levar a cabeça ao solo é encontrado, praticamente, em todas as religiões e foi trazido para alguns protocolos do mundano tendo em vista que em muitas sociedades os seus soberanos eram tidos como representantes terrenos da divindade.

Seu significado pode ser interpretado como (reconhecimento) da submissão do ser humano, muitas vezes representada através de fenômenos da Natureza, Ou seja, a aceitação de nossas limitações diante daquilo que não podemos controlar. Trata-se, portanto, de um sinal de respeito e de entrega.
Também pode ser entendido como representação de humildade, bem como uma forma de agradecimento (exemplo: a Mãe-Terra que, através de seus mistérios, nos dá tudo o que nos sustenta e mantém).
Pode-se, então, dizer que na Umbanda bater cabeça significa respeito pelos orixás, guias e entidades que são representadas tanto pelo conga ou congar, como por pontos de força ou energia (a tronqueira e os atabaques), e ainda nas figuras dos mais velhos na religião.
A ritualística pode variar de terreiro para terreiro, função de doutrina e fundamentos próprios.


GUIAS (FIO DE CONTA) NA UMBANDA

Conhecidas também como “Cordão de Santo”, “Colar de Santo” ou “Guias”, são ritualisticamente preparadas, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.
São compostas de certo número de elementos (contas de cristal ou louça, búzios, Lágrimas de Nossa Senhora, dentes, palha da costa, etc.), distribuídos em um fio (de Aço, Náilon ou fibra vegetal), obedecendo a uma numerologia e uma cronologia adequada; ou ainda, de acordo com as determinações de uma entidade em particular.
As contas de louça lembram, por sua composição, a mistura de água e barro, material usado para criar o mundo e os homens, por isso são as mais usadas.

Para que servem

- Têm poder de elevação mental. Se utilizadas durante um trabalho espiritual, tem função de servir como ponto de atração e identificação da vibração principal e/ou falange em particular, atuante naquele trabalho, servindo assim como elemento facilitador da sintonia para o médium incorporado. Elas nos auxiliam em nossas incorporações, pois estas atraem a “energia” particular de cada entidade, captando e emitindo bons fluidos, formando assim, um círculo de vibrações benéficas ao redor do médium que as usa.

- Servem como pára-raios. Se há uma carga grande, ao invés desta carga chegar diretamente no médium, ela é descarregada nas guias, e se estas não agüentarem, rebentam.

- Podem ser utilizadas pelo médium, para “puxar” uma determinada vibração, de forma a lhe proporcionar alivio em seus momentos de aflição.

A ROUPA BRANCA 

O branco na verdade não é uma cor, e sim o somatório de todas elas e, por isso, traz consigo as propriedades terapêuticas de todas além de ser essencialmente refletora, inclusive de cargas astrais. O branco também favorece a mente estimulando a pensamentos mais puros e sublimes. Por isso são usadas nos Centros de Umbanda as roupas brancas. Sendo assim, o médium deverá zelar por ela, aguardando-a em separado do restante das roupas. Sua lavagem deverá ser feita também em separado preferencialmente.

REENCARNAÇÃO

Ato natural do ciclo de vida (vida - morte - renascimento); aperfeiçoamento do espírito e do próprio homem.
Consiste na crença de que várias existências são necessárias para se chegar ao equilíbrio evolutivo e aos diversos planos da espiritualidade.
A origem dessa crença é indiana e penetrou em várias religiões ao longo dos séculos: Religiões Hindus, Budismo, Umbanda, Candomblé, Espiritismo etc.

O KHARMA 

Lei reencarnatória a qual todos estamos subordinados que dita a forma e os meios pelos quais será dado o retorno a um corpo material a fim de resgatarmos nossos erros (de existências passadas) e fazer cumprir boas ações (na existência futura).
O Kharma ultrapassa as barreiras temporais da materialidade fazendo com que o espírito cumpra sua passagem pela Terra não reencarnando, mas sim, como um Guia (Preto-Velho, Caboclo, etc.; no caso da Umbanda). O qual tem como comprometimento, missão ou provação guiar e ajudar os seres humanos e outros espíritos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sabão da Costa


Por volta do início do século XVI (1501), navegadores, senhores dos sete mares, passaram a designar toda a Costa Atlântica AFRICANA e seu interior imediato como COSTA e o que dali procedesse como DA COSTA.


Segundo relatos da época, de Viajantes portugueses, o SABÃO DA COSTA era importado pelo Brasil desde pouco depois de 1620.


Era o preferido dos escravos e libertos. Ele era oriundo de uma área entre GANA e CAMARÕES, e principalmente da NIGÉRIA, da República do BENIM e do TOGO.


Há praticamente 400 anos, garantem relatos de Cronistas e Viajantes da época, o Brasil importava um SABÃO DA COSTA da África que era usado por escravos e libertos.


Por que SABÃO DA COSTA?
Porque é antigo. A palavra SABONETE é incorporada ao português somente na virada para o século 19 quando no Brasil “tudo” era “francês” e o “SAVONETE” dos franceses é aportuguesado. Antes disso era SABÃO mesmo. Mesmo os franceses continuam dizendo SAVON, os espanhóis dizem JABÓN (RABÓN) e os ingleses SOAP (SOLP) e, portanto não deveria haver esse tipo de ‘distinção’.
O SABÃO DA COSTA mantém o nome SABÃO por uma questão de tradição.
O SABÃO DA COSTA é um sabão, de cor parda-escura tendendo a preta, feito com ervas medicinal (nó de pinho, óleo de côco, benjoim, juá, etc.) e além de ser usado prá descarrego promove uma profunda limpeza corporal.
Oxé dudu era o nome dado pelos africanos ao sabão da costa.




sábado, 13 de agosto de 2011

Preto Velho

Na Umbanda, são espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos".
São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, conseqüentemente são espíritos guias de elevada sabedoria, trazendo esperança e quietude aos anseios da condolência que os procuram para amenizar suas dores, ligados a vibração de Omolu, são mandingueiros poderosos, com seu olhar sentado em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, rezando com seu terço e a sua água fluidificada, demandam contra o baixo astral e suas baforadas são para limpeza e harmonização das vibrações de seus médiuns e de consulentes. Muitas vezes se utilizam de outros benzimentos. São os Mestres da sabedoria e da humildade.
Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por si só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, a qual utiliza em seus benzimentos.
Os Pretos Velhos – incluem os Tios e Tias, Pais e Mães, Avôs e Avós todos com a forma do idoso, do senhor de idade, do escravo. Sua forma idosa representa à sabedoria, o conhecimento, a fé. A sua característica de ex-escravo passa à simplicidade, a humildade, a benevolência e a crença no “poder maior”, no Divino.
A grande maioria dos terreiros de Umbanda, assim também suas entidades possuem a fé Cristã, ou seja, acreditam e cultuam Jesus (sincretismo do Orixá Oxalá). A característica desta linha seria o conselho, a orientação aos consulentes devido à elevação espiritual de tais entidades é como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.
Os Pretos Velhos seriam as entidades mais conhecidas nacionalmente, mesmo por leigos que só ouviram falar destas religiões Afro-Brasileiras. O Preto Velho é lembrado também pelo instrumento que normalmente utiliza – o  cachimbo.
Na Umbanda os Pretos Velhos são homenageados no dia 13 de maio, data que foi assinada a Lei Áurea, a abolição da escravatura.